Por uma qualquer coincidência, era 11 de Março. Só que do ano de 2008.
No Café “Aventuras” do Senhor Ventura, quatro tertulianos se reuniram para fundar a Tertúlia: o António, o Fernando, o Joaquim e o Paulo.
De entrada, serviram-se temas vários, corriqueiros e banais, antes do primeiro prato mais filosófico, com música e tudo! Música de épocas várias, incluindo a do tempo em que a batuta do maestro de Santa Comba decidia o que podíamos ou não devíamos ouvir. Fora os boicotes que fazíamos...
Por vezes, a conversar, chegamos facilmente à conclusão de que - de uma forma ou de outra – sentimos todos as unhas do tempo. Mas, por mais que o senhor tempo nos tire o tempo, nunca nos irá tirar este recanto da memória, onde guardamos as nossas recordações e lembranças, o que vivemos e sentimos, vimos, ouvimos e... registado ficou.
Este nosso primeiro encontro tertuliano, por coincidência a 11 de Março, interrompido apenas foi, em dança sucessiva, pela chegada de garrafas novas e cheias, enquanto as velhas e vazias partiam, ao ritmo dos quatro elementos.
Apesar de idades algo diferentes, as memórias das épocas são muito iguais, sobretudo no que respeita às mais marcantes. E, curiosamente, a música é comum a todos. Tal como as opiniões convergentes, a propósito de vivências, episódios dispersos, análises que se prolongam para outros tempos mais cinzentos. Mas é sempre a música a vir ao de cima. Trazia-nos recados que por vezes entendíamos e, com essa magia suave, espevitávamos, sentíamos que havia outra vida lá fora. E muitos emigraram. E cantou-se a emigração. Uma vez mais, a música nos deu sinal.
Mas, na nossa tertúlia deste dia, outros temas foram abordados.
Falou-se de aniversários, e com grandes contributos filosóficos por parte de António Gomes que, de forma filosófica, filosofava sobre as formas redondas das bolas de fumo que a atmosfera teima em esticar e dar-lhes formas abstratas, concluindo-se que a forma redonda é um estigma.
Por sua vez, o escrivão desta acta conclui que os aniversários são - para ele – uma situação de amor e ódio. Odeia fazer anos, mas, por necessidade, adora fazer anos.
Filosoficamente, este escrivão também não esteve mal.
Temos as opiniões do Joaquim. Marcadas com pinceladas coloridas com a arte dos seus desenhos, aonde cada traço, cada cor, representa uma visão do que viu, desejou ou sonhou. Sempre pintadas com as cores fortes da vivência que já passou.
E temos, também, o Paulo que, filosofando muito pouco, cismou com o trabalho que ia ter durante a noite. E, em conflito consigo próprio, ia adiando a hora da saída, agarrrando-se à cadeira desta mesa de tertúlia, jamais tentado a deixar a dita.
Pela inassinalável hora, Paulo abandonou a tertúlia, face aos seus deveres, e os restantes mantiveram o ambiente, retratando várias questões nos mais variáveis índoles e ângulos, sob a forma de pontos de vista.
Terminando quando íamos sentindo a necessidade de uns irem ao wc, outros porque... o Ventura já varreu. E o Café já fechou.