quinta-feira, 10 de abril de 2008

ACTA DA FUNDAÇÃO

Por uma qualquer coincidência, era 11 de Março. Só que do ano de 2008.

No Café “Aventuras” do Senhor Ventura, quatro tertulianos se reuniram para fundar a Tertúlia: o António, o Fernando, o Joaquim e o Paulo.

De entrada, serviram-se temas vários, corriqueiros e banais, antes do primeiro prato mais filosófico, com música e tudo! Música de épocas várias, incluindo a do tempo em que a batuta do maestro de Santa Comba decidia o que podíamos ou não devíamos ouvir. Fora os boicotes que fazíamos...

Por vezes, a conversar, chegamos facilmente à conclusão de que - de uma forma ou de outra – sentimos todos as unhas do tempo. Mas, por mais que o senhor tempo nos tire o tempo, nunca nos irá tirar este recanto da memória, onde guardamos as nossas recordações e lembranças, o que vivemos e sentimos, vimos, ouvimos e... registado ficou.

Este nosso primeiro encontro tertuliano, por coincidência a 11 de Março, interrompido apenas foi, em dança sucessiva, pela chegada de garrafas novas e cheias, enquanto as velhas e vazias partiam, ao ritmo dos quatro elementos.

Apesar de idades algo diferentes, as memórias das épocas são muito iguais, sobretudo no que respeita às mais marcantes. E, curiosamente, a música é comum a todos. Tal como as opiniões convergentes, a propósito de vivências, episódios dispersos, análises que se prolongam para outros tempos mais cinzentos. Mas é sempre a música a vir ao de cima. Trazia-nos recados que por vezes entendíamos e, com essa magia suave, espevitávamos, sentíamos que havia outra vida lá fora. E muitos emigraram. E cantou-se a emigração. Uma vez mais, a música nos deu sinal.

Mas, na nossa tertúlia deste dia, outros temas foram abordados.

Falou-se de aniversários, e com grandes contributos filosóficos por parte de António Gomes que, de forma filosófica, filosofava sobre as formas redondas das bolas de fumo que a atmosfera teima em esticar e dar-lhes formas abstratas, concluindo-se que a forma redonda é um estigma.

Por sua vez, o escrivão desta acta conclui que os aniversários são - para ele – uma situação de amor e ódio. Odeia fazer anos, mas, por necessidade, adora fazer anos.

Filosoficamente, este escrivão também não esteve mal.

Temos as opiniões do Joaquim. Marcadas com pinceladas coloridas com a arte dos seus desenhos, aonde cada traço, cada cor, representa uma visão do que viu, desejou ou sonhou. Sempre pintadas com as cores fortes da vivência que já passou.

E temos, também, o Paulo que, filosofando muito pouco, cismou com o trabalho que ia ter durante a noite. E, em conflito consigo próprio, ia adiando a hora da saída, agarrrando-se à cadeira desta mesa de tertúlia, jamais tentado a deixar a dita.

Pela inassinalável hora, Paulo abandonou a tertúlia, face aos seus deveres, e os restantes mantiveram o ambiente, retratando várias questões nos mais variáveis índoles e ângulos, sob a forma de pontos de vista.

Terminando quando íamos sentindo a necessidade de uns irem ao wc, outros porque... o Ventura já varreu. E o Café já fechou.

O escrivão: Fernando Marques

Nenhum comentário: